Marcus Rodrigues*
Outro dia recebi uma missão (na verdade eu me escalei, mas continua sendo missão J)... Escrever um artigo para uma coluna sobre a Internet e desenvolvimento tecnológico. Legal! Aceitei... E agora estou aqui, na frente do notebook sem saber por onde começar.
Pensei em falar sobre a tecnologia de redes TCP/IP... Mas logo vi que seria lugar comum. Ora, falar de tecnologia Internet em tempos de imposto de renda pela Internet, homebanking, Paredão de Big Brother, gol do internauta do Esporte Espetacular, enquete do programa da Gabi na Internet, Internet Aqui e Agora, Internet “pracá”, Internet “pracolá”, ... Falar de tecnologia Internet seria lugar comum. Hoje em dia, qualquer bodega de beira de estrada aceita pedidos pela web (outro dia o “seu” Nunes me pegou para tirar umas dúvidas sobre o esquema de encriptação e certificados digitais que ele está implementando para o portal do seu estabelecimento comercial – “Mercearia Santa Edwiges On-Line”). Definitivamente, tecnologia Internet seria lugar comum. Nem o meu pequeno Mateus, meu filho de 5 anos, que só fala em jogos pela Internet, site do Discoverykidsbrasil.com, portal do Sabidinho, e-mail multimídia, upgrades “ultrasuperpowermegaturbinados” iria querer saber dessa coluna.
E voltei mais uma vez a questão: “O que escrever?”
Já sei! Vou falar sobre o amor no tempo da realidade virtual. Sensacional! Vou contar histórias de amor vividas no mundo dos sonhos... Na terra do faz-de-conta... na busca por amor em salas de bate-papo virtuais (por que não, né ? Até o Miguel Falabela já fez isso na novela das 7h). Vou contar histórias de amor, como a do sonhador Orfeu, um professorzinho do interior de São Gonçalo do Amarante, que se apaixonou pela doce e bela indiazinha Tapeba, uma adorável estudante da pequena e pacata Capuan. Casos de “amor à primeira tecla” (e não pense você que isso não acontece. Acontece sim!). Pensei em talvez seguir uma linha crítica, como por exemplo, questionar (ou tentar mostrar) como e até onde alguém pode amar sem conhecer, ou então falar de um tema mais polêmico, como a liberdade de expressão e o movimento que advoga a censura no material veiculado na rede. Outra idéia seria viajar numa ficção de amor... Como teria sido o caso de amor de Romeu e Julieta em tempos de Internet? Teriam eles uma sala de bate-papo exclusiva em algum desses provedores desse mundão de Meu Deus? Como seria o papo deles? Como teria sido a clássica cena II do ato II? “Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu@fairverona.love.it? Renega o teu provedor, despoja-te do teu e-mail; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto.com deixarei de ser logo”. Se Romeu realmente tivesse um e-mail, provavelmente Frei Lourenço teria conseguido enviar-lhe a bendita carta mais rapidamente, ou ainda uma mensagem instantânea pelo MSN (que mesmo ele não estando on-line, ele poderia receber a mensagem em seu celular 3G), e ele não teria feito a besteira de morrer e levar a morte sua linda Julieta... Pensei demais, mas escrever algo que é bom, nada. Marquei o bloco, e “deletei”.
Agora vai... Vou falar sobre Educação e Internet, e a inclusão digital, ou o impacto da revolução tecnológica no processo educacional presencial. É isso (pelo menos o título já tá garantido... ou quase). Mas “peraí”. O tema é educação e tecnologia, ou melhor, Educação e Internet. Mas o que exatamente? Falo de acontecimentos e iniciativas, como a IV Escola de Verão em Redes de Computadores (EVRE), realizada pelo LAR, que “arrebentou a boca do balão”, em Itapipoca, lá pelos idos de 1998, quando levou a Internet e o CNPq, através do projeto LAR doce LAR à pacata cidade do interior cearense? Ou falo sobre o papel da Internet na democratização do conhecimento? Ou tento ainda falar sobre o desejo de se ter a tecnologia da informação a serviço da cidadania? (Situação difícil essa, hein? Não falariam os três sobre a mesma coisa?). De qualquer forma, qualquer um desses temas deixaria orgulhoso meu bom e velho Professor Mauro Oliveira, com quem discuti várias vezes sobre tudo isso. Mas acho que não vai ser dessa vez (vou ficar te devendo essa, “fessor”). Vou voltar para a linha 1 mais uma vez.
“Peraí” só mais essa vez! Eu sou professor. Trabalho com redes, e tem aí um monte de coisas pra se falar... Tem uma tal de Rede GigaFOR chegando “nas parada”, como diria um aluno meu. Tem um monte de novas tecnologias “papocando” por aí...Voz sobre IP, Qualidade de Serviço na Internet, IP/WDM, TV Digital Interativa, ... Vou então falar dessas coisas... Vou começar falando sobre essa tal Rede GigaFOR, e a iniciativa do Governo Federal em levar 1000.000.000 bits por segundo através de fibras ópticas a cada pedacinho desse Brasilsão de Meu Deus. Vou falar do projeto SBTVD, que desenvolveu um padrão de TV Digital Brasileiro, que poderá levar finalmente a inclusão digital a cada canto do Brasil que tenha pelo menos um aparelho de TV (o Brasil poderá ser o primeiro país do Mundo com TV Digital Preto e Branca J). Vou falar demais... Não tem espaço pra tudo isso. Falo do que então?
Mas só mais essa vez... “Peraí”! Por que falar de um só desses assuntos? Por que não falar de tudo? Afinal, é esse o objetivo dessa coluna. Falar sobre Internet. Falar sobre a tecnologia de redes de computadores, sobre as novidades, e a história da Internet (seria legal escrever sobre a boa e velha RUI – Rádio Uirapuru de Itapipoca). Falar sobre o amor em tempos de Internet. Falar sobre como a “Internet pode tanto ser um elo de humanização da sociedade, quanto um privilégio eletrônico de alguns poucos, promovendo o fosso das diferenças sociais, já tão gritantes”, como um dia já disse o Professor Mauro. Falar sobre tecnologia numa linguagem clara e simples, discutindo conceito técnicos e inovações. É nesse contexto que nasce essa coluna.
SENSACIONAL!!!
* Marcus Rodrigues é bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), e mestre em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atualmente, Marcus Rodrigues é professor da Faculdade Evolução, onde leciona as disciplinas de Redes de Computadores e Gerenciamento de Projetos, e coordenador dos cursos de Redes de Computadores e Análise de Sistemas para Internet. Marcus Rodrigues é também Gerente Técnico do Instituto Atlântico.